Massacre de Batepá 1953-2014

Fev 3 • Cultura, STP • 2912 Views • 1 comentário em Massacre de Batepá 1953-2014

São Tomé e Príncipe assinala 61 anos do maior e pior massacre da sua história.

A 3 de fevereiro de 1953, centenas de são-tomenses tombaram pela pátria e pela liberdade. A mando do governador português de então Carlos Gorgulho, os nativos foram escravizados e levados à morte naquele que se viria a tornar no pior massacre da história das ilhas. O objetivo era transformar à força os nativos em trabalhadores contratados para as plantações de Cacau e Café.

61 anos depois, São Tomé e Príncipe ainda chora e procura honrar os que partiram durante o massacre de 1953. O massacre de Batepá como ficou conhecido é um dos importantes marcos da história do arquipélago, não só pelo horrendo ato que foi, mas também pela mensagem de coragem e garra demonstrada pelos que tombaram em nome da pátria.

Centenas de nativos negaram-se a serem contratados à força para as plantações do Cacau e do Café ou para trabalharem como escravos nas obras públicas. O governador português de então Carlos Gorgulho, não deixou barato e desencadeou um autêntico massacre que teve início no centro da ilha de São Tomé, nas zonas de Batepá, Trindade, Folha Fede, António Soares até Otótó.

Mas, o Apocalipse deu-se na praia de Fernão Dias no noroeste da ilha de São Tomé. Corpos moribundos ensanguentavam a praia perante as barbaridades dos colonos, que os obrigavam entre várias coisas, a apanharem a água do mar com baldes rotos, (trabalho de água com cesto), numa tentativa incessante de secar o mar.

Ainda hoje é possível recolher testemunhos daqueles que muito debilitados resistiram ao massacre, ou de pessoas que tiveram país, avôs, avós, irmãos ou tios que de alguma forma ou de outra, participaram ou assistiram o que aconteceu em 1953.

Para não deixar morrer a data e em honra dos combatentes nativos, é assinalada a cada 3 de fevereiro um feriado nacional. Em Fernão Dias é realizado um ato central com missa solene, deposição de coroa de flores e um discurso do Presidente da República, entre outras atividades.

Brany Cunha Lisboa

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