Atração de investimentos VS Mercado Financeiro Nacional

Mai 9 • Economia, STP • 778 Views • 1 comentário em Atração de investimentos VS Mercado Financeiro Nacional

Nos dias de hoje, a atração de investimentos constitui um tema primordial em qualquer economia.

Antes de entrar concretamente neste tema, gostávamos de analisar sucintamente o desempenho macroeconómico do Pais nos últimos anos e representá-lo graficamente.

Evolução anual da Estrutura Sectorial do PIB na ótica de produção

De acordo com as estimativas disponíveis neste domínio para o ano de 2012, embora sejam ainda muito preliminares, parecem pender genericamente para um decréscimo, não negligenciável, do ritmo do crescimento do Produto Interno Bruto, contrariando assim a evolução favorável registada no ano precedente, devido ao abrandamento da atividade económica.

Admite-se que esta deterioração do nível de crescimento do PIB tenha a sua justificação no contexto da crise económica Internacional.

De facto as estatísticas disponíveis demonstram que a economia São-tomense continua a ressentir-se dos impactos negativos da crise económico-financeira mundial traduzida por um lado numa fraca perspetiva de entrada de investimentos diretos estrangeiros e por outro na redução de ajuda pública ao desenvolvimento, quer sob forma de donativos, quer sob forma de créditos para financiar tanto os investimentos públicos como privados.

Tipificada obviamente como sendo uma economia altamente dependente do exterior, a fraca entrada de recursos públicos comprometeu consideravelmente os níveis de crescimento económico inicialmente previstos, tendo forçado mesmo as autoridades São-tomenses a reverem em baixa a taxa de crescimento do PIB, para o período em análise, passando-a de 5,5% para 4,5%. (FONTE: Banco Central STP)

Graf 1 – Evolução da taxa de crescimento do PIB (em termos reais)

Optimized-graf 1

Fonte BCSTP

 Graf2 (Graf. Taxa Crescimento Economico)

Optimized-graf2

(FONTE: WADIRLUCHTTER PIRES)

Analisando o gráfico 2, constata-se a guisa de conclusão que a economia de STP apresenta-se estável nos últimos anos.

Contexto Macroeconómico

 A evolução do produto interno bruto (PIB) resulta, por um lado, do comportamento passado dos agentes económicos que influencia por outro , o comportamento futuro dos mesmos . Enquanto o crescimento sustentado do PIB induz a maiores níveis de investimento e consumo privado, e o decréscimo do PIB conduz geralmente a redução da procura de bens e serviços e, por consequência, à contração da atividade empresarial. (Por exemplo, Inexistência de mercado imobiliário, Fraco poder de compra/ consumo dos agentes económicos nacionais, fraca capacidade por parte dos empresários nacionais, etc.).

A taxa de inflação e a taxa de juros são igualmente variáveis do contexto económico que influenciam as decisões empresariais. Baixas taxas de inflação e de juros proporcionam maior confiança e reduzem os custos dos agentes económicos, favorecendo o investimento em novas instalações produtivas por parte das empresas e a aquisição de bens e serviços por parte dos consumidores. Elevadas taxas de inflação e de juros têm naturalmente o efeito inverso na economia.

Neste contexto, o Banco Central de São Tomé e Príncipe reduziu a taxa de juros de referência de 14% para 12% como sendo uma das estratégias para impulsionar e dar credibilidade, tanto ao investimento direto estrangeiro (IDE), como ao Investimento Nacional, etc.

A questão que se coloca é a seguinte:

Qual será a reação dos Bancos Comerciais e o Banco de investimento da praça, face ao sinal claro dado pelo Banco Central?

Do nosso ponto de vista, face a redução da taxa de juro de referência, os Bancos Comerciais e o Banco de Investimento se ainda não reagiram deverão fazê-lo rapidamente e numa perspectiva positiva com vista a reduzir as taxas de juros actualmente praticados por forma a impulsionar maiores níveis de investimento e consumo privado, consumo por parte dos agregados familiares e reduzir os custos dos agentes económicos, etc.

No entanto, como vem sendo pratica, importa sublinhar que os Bancos comerciais e de investimento não tem dado nenhum sinal relativamente às taxas de referência do Banco Central desde 1999, se a memória não nos falha.

Estando em carteira vários projetos estruturantes de investimentos tais como: Porto em Aguas Profundas, reabilitação do Aeroporto Internacional, Projeto de Zona Franca, etc, projetos estes, que trarão com certeza novos investimentos e consequentemente, novos postos de trabalho, etc. pelo que os bancos comerciais devem reagir positivamente. Por isso dizemos que os recursos disponíveis passíveis de atrair novos investimentos, devem ser aplicados em projetos que deverão atrair outros investimentos; Do nosso ponto de vista, em STP, tem-se feito o inverso. Portanto, dizemos mais; uma necessidade, por maior e mais urgente que seja, só poderá ser suprida com a utilização de bens disponíveis, bens cuja produção implica a não produção de outros bens. (Exemplo: A crise Europeia, do nosso ponto de vista, advém da aplicação de capitais em projectos ou programas que não atraem outros investimentos, nem proporcionam rendimentos tais como: Construção de estradas, construção de mobiliários com fins de consumo, consumo do agregado familiar, etc. deste exemplo, São Tomé e Príncipe não foge a regra dado a fraca capacidade de gerar riqueza, todas as receitas que são arrecadadas são canalizadas para consumo do pessoal (Remuneração), construção de alguns bens sociais, construção de estradas, etc.

Outro fator importante a reter é que a inflação não gera riqueza; apenas estabelece o quanto cada individuo terá que suportar. Da mesma forma que os impostos ou a divida publica, são um meio de obter recursos, e não um meio para satisfazer a demanda.

Tendo-se-nos constado que Angola como um dos nossos parceiros de desenvolvimento, um país irmão, está disponível a nos ajudar com uma linha de crédito no montante de $180.000.000,00 para financiar o nosso orçamento Geral do Estado (OGE), (Fonte:http://www.macauhub.com.mo e http://www.reporterstp.info/?p=1435), e não podendo alocar esta verba em outros investimentos visto que termos algumas necessidades básicas para serem resolvidas urgentemente tais como: (Fornecimento de Agua Potável à diversas comunidades, construção de saneamento de meio, melhoramento no setor de Saúde, infraestrutura, etc.). Nesta perspetiva, perguntamos:

Não haverá outra modalidade de negociar ou renegociar com angola a possibilidade de ao invés de $180.000.000,00 posto a nossa disposição,somente para financiar o OGE aumentar ligeiramente caso seja possível a fasquia para por (Exemplo, $280.000.000,00) como forma a podermos alocar uma parte do mesmo para financiar um dos projetos estruturantes acima citado como forma de credibilizar e mostrar aos investidores estrangeiros que os nossos projetos são viáveis e credíveis e queremos seriamente executa-los. Investimentos dessa natureza, são investimentos que trarão retorno, e impulsionaram novos investimentos e postos de trabalho.

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 Por outro lado, sendo os Bancos os motores e a garantia de financiamentos a economia, tendo os Bancos da nossa praça liquidez económica e financeira saudável, porque não financiar projectos estruturantes? Então, a questão que se deve colocar é a seguinte: Qual a capacidade que tem os nossos bancos disponíveis para comparticipar e financiar neste tipo de projetos de investimentos? Ou será que os nossos bancos só têm capacidade para financiar pequenos projectos ou pequenos negócios e receberem depósitos?

Na nossa humilde e modéstia visão, achamos que os bancos em São Tomé e Príncipe não estão preparados nem económica nem financeiramente para financiar investimentos desta envergadura.

Nesta perspectiva pergunta-se que futuro para a promoção de investimentos em STP?

Optimized-graf4

 Falando de atração de investimentos, não poderia deixar de frisar algo sobre o incentivo ao investimento.

Já é de conhecimento de todos que a nossa economia tem a sua peculiaridade e não é fácil operar neste mercado.

Outro fator que está a condicionar o impulsionamento de novos investimentos, sobretudo, dos pequenos investidores jovens é a taxa/ imposto aplicado em São Tomé.

Por isso, achamos que é deveras importante que o governo deveria rever e analisar a política de imposto aplicado em STP.

Por: W. Pires

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