Poder contra Oposição: uma guerra de tronos chamada política

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São Tomé e Príncipe prepara-se para no próximo dia 7 de Outubro eleger um novo Primeiro-Ministro, Presidente regional e Presidentes das diferentes câmaras distritais que compõem o país. No entanto, a menos de um mês do dia de todas as decisões, já se assiste movimentações ao robro no terreno, por parte de partidos e candidatos aos tronos do poder. O assumir das posições e o escavar das trincheiras pelos atores políticos são-tomenses deixam antever uma guerra política renhida com vista à conquista do maior número de votos. O ADI de Patrice Trovoada no poder, parte em vantagem de acordo com o senso comum no meio político. O renovado MLSTP/PSD de Jorge Bom Jesus aparece em contra-ataque e em muito boa posição para desferir “knock out” final ao ADI e recuperar o poder para si. A coligação que enfileira o MDFM, PCD e UDD surge com carregadores triplicados e pronta para vencer o máximo de batalhas que conseguir. Há ainda a registar pequenos grupos de combatentes isolados que também preparam o assalto aos tronos eleitorais como o “brand new” MCI/STP, o MSD/PV, o FP e o PTS.

Estado das coisas

O país já está “quente” como se costuma dizer em tempo de campanha eleitoral. O ADI de Patrice Trovoada no poder quer garantir a sua reeleição uma vez mais com maioria absoluta, a conquista de todas ou quase todas autarquias distritais e a presidência regional. Por isso, pôs em curso a já conhecida e bem sucedida estratégia de guerra política que se resume em “dividir para reinar”. Mais recentemente o partido do Liceu,  entrepôs alegadamente recursos no Tribunal Constitucional para a impugnação das cadidaturas do MLSTP/PSD e da Coligação MDFM/PCD/UDD. Antes disso, ADI e Patrice Trovoada vieram ao público apresentar um suposto “exôdo” de simpatizantes do MLSTP/PSD, apresentando mesmo o rosto de alguns “viracasaca” que agora assumem estar de corpo e alma com o partido no poder. Os Azuis e Amarelos reclamaram também na abertura das hostilidades para 7 de Outubro,  uma tentativa de sublevação do poder público com vista ao assassinato da figura do primeiro-ministro e apontaram mesmo como cúmplice um dos membros e antigo ministro do MLSTP/PSD.

O partido do Riboque, renovado, com novo Presidente e uma lista de candidatos à deputados marcada pela inclusão de muita juventude é de opinião de que a melhor arma para vencer uma guerra, conquistar posições e tronos é o ataque. Ao mesmo tempo que Jorge Bom Jesus e a sua nova equipa procuram sarar feridas internas e unificar o partido, entretanto destroçado pelos últimos resultados eleitorais, pediram clarificação por parte das autoridades competentes da acusação de tentativa de sublevação do poder tornada pública pelo ADI e Patrice Trovoada. Por outro lado, acusaram o poder e os líderes do Banco Central de São Tomé e Príncipe de corrupção ao dividirem alegadamente entre si cerca de 250  mil euros, no âmbito do processo de introdução da nova família da dobra, meoda nacional.

Outros partidos

Por mais que alguns não o queiram ou não o aceitem, as principais batalhas a serem travadas nesta guerra pelos tronos políticos em São Tomé e Príncipe deverão ter como protagonistas o ADI de Patrice Trovoada e o MLSTP/PSD de Jorge Bom Jesus. Quanto aos  outros partidos deverão capitalizar os indecisos e os propensos a absterem-se para avançarem algumas trincheiras acima. Movimentações de parte a parte já se verificam com as tradicionais reuniões partidárias nas diferentes zonas, cidade e periferias do arquipélago.

Príncipe

Na região autónoma a luta pelo poder deverá ser menos renhida, já que esta deverá ser travada apenas pelo atual Presidente José Cardoso Cassandra, há largos anos sentado no trono do Príncipe e pelo “Comandante Kapala” do MLSTP/PSD, que apesar de carregar o título de “comandante” o que certemente seria útil numa “guerra”, agrega poucas ou baixas experiência em andanças eleitorais . Entretanto, por tudo o que Tozé Cassandra, como é mais conhecido o Presidente do governo regional fez nos últimos anos é quase certo a sua recondução ao cargo.

“Banho” ou compra de consciência

A compra de conciências é certamente um dos maiores problemas do sistema eleitoral são-tomense. Já se tornou cultural para a população esperar as épocas eleitorais para se “safarem”. As consequências da pobreza e da precariedade que assolam o país como se de uma epidémia se tratasse, coloca a população são-tomense quase toda ela numa situação de pedinte. As principais forças políticas aproveitam-se disto para de mais variadas formas comprarem literalmente os votos. Uma das táticas mais populares utilizadas nos últimos pleitos é a distribuição de motorizadas. Nestas pré-campanhas para as eleições de 7 de Outubro, já se ouve falar na praça pública de alegados favorecimentos de este ou aquele partido às diferentes franjas da população e até mesmo “posts” nas redes sociais sobre alegadas distribuições de motorizadas às pessoas em plena casa da democracia. Se for verdade é preocupante, já que estas alegadas movimentações podem por em causa a veracidade dos resultados eleitorais. Sendo assim, haverá de certo trabalho árduo para os observadores internacionais que terão o papel de imprimir credibilidade a estas eleições já de si envolta em enorme desconfiaça, desde logo por causa da questão dos membros do Tribunal Constitucional serem alegadamente afetos ao partido no porder.

Comissão Eleitoral Nacional

A Comissão Eleitoral Nacional que garante estar tudo pronto para as eleições de 7 de Outubro, terá um papel crucial no sucesso da realização destas eleições. Deverão pautar pela transparência, previnir o banho e a chamada “boca de urna” e conferir credidiblidade aos resultados. Para atingir estes desideratos já foi buscar apoio à Portugal e a Cabo Verde.

O arquipélago são-tomense está ao rubro perante as estratégias de guerra de tronos adotadas pelos vários partidos e candidatos concorrentes as eleições de 7 de Outubro, que podem para muitos ser o primeiro passo para reconstituir a democracia alcançada nos anos 90 e para outros a continuidade do bom caminho que o país vem trilhando nos últimos anos.

Brany Cunha Lisboa

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