39 anos de esperança ou frustrações?

Jul 12 • Sociedade, STP • 828 Views • 2 comentários em 39 anos de esperança ou frustrações?

São Tomé e Príncipe comemora este 12 de Julho 39 anos de independência. Mas hoje, volvidos que estão 24 anos de democracia e liberdade sobrepõem duas questões: Foram 39 anos de esperança? Ou 39 anos apenas de frustrações?

Há fatores que pendem para as duas perguntas. Referindo-se a esperança, assegura o dito popular que esta é sempre a última a morrer, por isso, os são-tomenses mantêm o sonho de ver a médio-longo prazo um maior desenvolvimento das duas ilhas e uma consequente melhoria de vida da população.

Sendo de maioria cristã o arquipélago são-tomense apega-se a Deus pai todo poderoso e aos santos António e Tomé que apadrinham as ilhas no sentido de vir a assistir a um futuro mais risonho. Apesar de esses 39 anos de independência saberem a pouco na opinião de muitos, o certo é que só o facto de o país ser independente é uma grande conquista.

Há muito a fazer? Há…! No entanto, um futuro mais risonho almejado pelo povo nunca será possível sem sonho e sem esperança.

Já o capítulo das frustrações é mais evidente e mais entediante. A política é o que salta primeiro à vista, mas interliga-se às vertentes “social” e “cultural”. Em 15 anos ditatoriais pós 1975, o país pouco se desenvolveu, não obstante tendo ganho neste período a sua primeira experiência governativa. O Advento da democracia em 1990 trouxe um novo conceito de pensamento, fomentou o brainstorming, abriu caminho ao pluralismo, mas ao mesmo tempo justificou a falta de entendimento entre os atores políticos. Como resultado temos: 18 primeiros-ministros em 24 anos de democracia, inúmeros projetos inacabados ou anunciados publicamente mas que ainda não saíram do papel, 39 anos de crises energéticas sucessivas, roturas constantes do stock de bens de primeira necessidade, agravamento das condições de vida das populações com reflexos claros no aumento da percentagem de habitantes a viverem na pobreza extrema, ou seja com menos de 1 euro por dia, entre outros pontos negativos.

No âmbito cultural, assiste-se a morte de algumas manifestações seculares como o caso do bocado e o empobrecimento de outras, recusadas a seguir pelos jovens como é o caso da tragédia de Marquês de Mântua.

Mas entre a esperança e as frustrações há coisas boas a destacar: a descoberta do petróleo, embora os recursos ainda não estejam a chegar de forma suficiente ou pelo menos visível à população mais desfavorecida, uma descida drástica nos índices de analfabetização no país e um aumento generalizado de quadros técnicos e superiores.

Abertura do setor da comunicação social à novos players, sobretudo na internet, bem como o setor das telecomunicações com a entrada da Unitel angolana no mercado nacional entre outros pontos positivos.

Atingidos que estão os 39 anos de independência o que o futuro reserva as ilhas de nome santo? Um futuro de esperança ou continuaremos numa senda de frustrações? O tempo dirá. Mas entre trambolhões e quedas, o país deve continuar a luta para o desenvolvimento, buscando entendimento entre as ideias divergentes e assumindo a importância por exemplo dos seus recursos naturais, que bem manuseados poderão servir de justa moeda de troca aos eventuais auxílios internacionais que o país receba.

Brany Cunha Lisboa

 

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