Cinco Coisas Que Gosto e Não Gosto na GBB

Jul 14 • Sociedade, STP • 833 Views • 2 comentários em Cinco Coisas Que Gosto e Não Gosto na GBB

Da comida à música passando pelas nossas casas e o eterno leve-leve, cinco coisas que gosto e não gosto na Grota de Bombom.

Todos nós são-tomenses temos coisas desse país que mais gostamos e/ou que menos gostamos e eu não sou exceção. Por estes tempos fora do país, algumas delas passaram a me trazer imensa saudade, outras tristezas e algumas revoltas. Pegando carona num vídeo do Youtube sobre o assunto, mas em relação a Portugal, resolvi fazer o mesmo em relação a minha nem sempre querida Grota de Bombom (São Tomé e Príncipe) ou GBB. Começo com as 5 que mais gosto, não necessariamente na ordem apresentada e depois as que menos gosto. Então vamos a elas:

1. Comida:

Temos como tradição exceto a banana, comer no nosso dia a dia comidas importadas como arroz, feijão, frango, leite, etc., mas eu gosto mesmo é das nacionais e tradicionais. Calulú, Izaquente, Djógó, Banana cozida e outras mais. No Brasil onde moro há muitos géneros alimentícios comum à GBB mas, como devem imaginar a forma de preparar é diferente. O que me faz sentir água na boca só de imaginar um prato de búzio com fruta pão com um copo de vinho da palma docinho! Nossa comida sem dúvida é a melhor do mundo.

2. O otimismo das pessoas

Os são-tomenses já foram chamados de o povo mais pacífico do mundo, pela sua calma, compreensão, humildade, amabilidade e acima de tudo simpatia. Somos um povo receptivo, amigo e muito divertido. Nunca as coisas estão ruins demais, por pior que pareçam. Bote otimismo nisso!

3. As frutas

Podia falar de frutas junto com as comidas citadas acima, mas quero colocar outro ponto. Na Grota de Bombom ninguém morre de fome, felizmente. Não digo que não se passa fome, mas sempre acaba surgindo uma alternativa para salvar a situação. O que não faltava no mato é jaca, úntue, goiaba, manga, pêssego etc. É verdade que é em terrenos privados e confesso já passei aperto com o “dono” por atirar pedras aos untueiros, mangueiras, safuzeiros etc. Quando eu era criança. Todavia sempre me livrei da fome coletando estes frutos no chão ou até mesmo nas árvores.

4. Música

Tive a sorte de conhecer o Sangazuza, África Negra e Os Úntues dos anos 90. Bom Demais!” Se falar das músicas dos tempos anteriores que a cultura musical nacional recuperou nos últimos anos como as vozes de Ayder India, João Seria, Carlos Santos, Gilberto Umbelina e outros nomes, o cenário se torna melhor ainda. Claro, que nos últimos anos, embora tenham surgidos muitos nomes na nossa cena musical, poucos se agigantam, contudo o tempo há de peneirar e os melhores serão reconhecidos. A nossa música goza ainda de boa saúde.

 

5. Praias.

Como não podia deixar de ser, tenho que falar das nossas praias que são das melhores no mundo. De águas claras, mornas e limpas é com muito orgulho e saudade que me recordo das nossas praias. Quem nunca fez um piquenique inesquecível naquelas praias fora da cidade cheia de coqueiros, tamarindos (tamarina para nós santolas) e/ou pitangas?

Bom, como não são apenas de coisas boas que se faz um país vou agora enumerar as 5 coisas que menos gosto na GBB:

1. Falta de Energia Elétrica.

Lógico! Chega a ser triste como 39 anos após a independência o problema de energia elétrica permanece. A impressão que fica é que ninguém faz nada para mudar isso, ou pior parece, repito, parece que alguém faz algo sério para que tudo permaneça como está. Consequência: o país não cresce, a economia continua a lástima de sempre, afinal qualquer empreendimento que se imagina precisa de energia elétrica permanente e barata para dar os primeiros passos. Triste.

2. Transportes Públicos

Se eu disser para um amigo brasileiro que na GBB não tem ônibus (autocarro) nem metrô ele entenderá como piada. Parecerá brincadeira eu contar que na GBB usa-se táxi com lotação esgotada (com passageiros apertados) em que cada passageiro paga uma passagem aos moldes do autocarro. Parece mentira São Tomé e Príncipe não ter transportes públicos.

3. Casas

Convenhamos que quem vê o centro da capital são-tomense não vê as reais condições habitacionais do país. Claro, muitos moram em chalés e duplex, mas quanto é esse “muitos”? 10% da população? Mais? Menos? São-tomenses comuns moram em casas de madeira, coberta com chapas de zinco sem quarto de banho, quando muito uma latrina. Cozinha à lenha ou carvão, lava pratos sem detergente, lava roupas em rios. São-tomenses comuns não sabem como se usa um fogão à gás e acham que ter geleira é um luxo. Triste, muito triste.

4. Ignorância política.

Quantos de nós sabemos quantos e quanto de impostos pagamos? Quanto custa um deputado à noção? Quais os projetos que cada deputado apresentou? Em quais ele votou à favor ou contra? Qual de nós fiscaliza o trabalho deles? Já enviou algum e-mail criticando ou dando alguma ideia para algum deles? Sabe se eles têm e-mails? Santa ignorância!

5. Leve-leve

Para terminar devo dizer que sou frustrado com o leve-leve são-tomense. Esse nosso deixar andar, deixar estar para ver como fica, é um dos grandes males da nação. Por pior que as coisas estejam ou pareçam ninguém se manifesta, ninguém faz nada e se um se levantar os outros caem criticando em nome de boa imagem e bom comportamento. Enquanto isso os “cães gulosos fazem a festa”.

Olavo Cunha Lisboa

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