Estamos em África, somos Ilhas e somos Crioulos, porque não estamos na moda?

Jul 12 • Sociedade, STP • 1353 Views • 2 comentários em Estamos em África, somos Ilhas e somos Crioulos, porque não estamos na moda?

Esta é uma das muitas perguntas deixadas no ar pela diáspora são-tomense, numa altura em que o país comemora 38 anos de independência.

Neste 12 de Julho o reporterstp foi medir o pulso a comunidade são-tomense que assiste a maturação da independência distante do arquipélago. As palavras-chave mais usadas para caracterizar as ilhas durante esses 38 anos de independência são  “avanços e recuos”

O sentimento é unânime. O país demora a arrancar para o desenvolvimento. O reporterstp foi neste 12 de Julho saber o que pensam os são-tomenses que vivem fora do país, sobre os 38 anos de independência. De acordo com os dados recolhidos, a quem afirma que alguma coisa já foi feita nestes anos para mudar o rumo do país, mas o que salta mais a vista são as inúmeras perguntas sem respostas que ainda persistem.

“Será independente um país de vive de ajuda externa?
Será independente um país que importa quase tudo ?
Na minha opinião temos de colocar questões desse género, porque não obstante essa independência em relação a antiga colonia portuguesa, continuamos muito dependentes de portugal. Eu penso que o nosso papel agora é pensar nessas coisas, nós enquanto jovens temos a responsabilidade de reconstruir o país, porque os antigos “heróis” do país, são hoje atuais responsavéis pela estagnação do país”, refletiu o jovem Hugo Menezes.

São 38 anos de independência, que para além de devolver a soberania, proporcionou ao país o ensaio de um sistema democrático, que avaliando por declarações recolhidas pelo jornal periga desaparecer.

“Penso que já demos passos importantes, como sejam a liberdade do jugo colonial e a soberania.
Entretanto entristece, ver que volvidos que foram 38 anos, o país continua sem dar sinais de arranque, seja a nível economico, social, político e até tem tido retrocessos sociais, o que até aqui era a nossa principal riqueza.

Temos ouvido relatos de abusos de poder, de tentativas de subversão da ordem constitucional, prisões arbitrárias, intimidação e até mesmo a partidarização do aparelho do Estado.

Outro dos males que importa apontar é a impunidade, a corrupção e tráfico de influência que grassa a nossa sociedade política, o que deixa no cidadão a ideia de que basta ter influência que este ou aquele cidadão passa automaticamente a estar acima da lei. Enfim, sinais preocupantes.” esclareceu o jurista Valdimir António.

Outro estudante de direito que acompanha a vida social, económica e política do arquipélago a distância, realça os avanços e recuos que tem caraterizado as ilhas nestes 38 anos de independência.

“Temos grandes empreendedores, mas a crise de valores leva o pessoal a ter também crise de confiança.
Há muitos avanços e recuos por parte dos nossos governantes, o que limita muito quem queira investir”,  advertiu o estudante Lucas Lima.

O país comemora 38 anos de independência, numa altura que a maioria dos grandes projetos como a construção de um porto de águas profundas na região de Fernão Dias, ou a ampliação e modernização do porto e aeroporto de São Tomé, praticamente ainda não sairam do papel. O mais grave são os dividendos do negócio de exploração petrolífera que o “povo pequeno” ainda não viu, havendo mesmo dúvidas da sua existência em quantidade comerciável.

No entanto, ultimamente decorrente da grave crise financeira e económica que afeta a Europa e os Estados Unidos da América, África deixou de ser vista novamente apenas como o continete pobre e dos pobres, para ser vista como terras de oportunidades. Por tudo isto, o analista e comentador Abílio Bragança Neto pergunta: Estamos em África, somos Ilhas e somos Crioulos, porque não estamos na moda?

“Cabe-nos pensar e repensar porque não conseguimos ser moda. Cabe-nos também ter consciência que estes 3 elementos juntos têm constituído a base de desenvolvimento da maioria de Ilhas. Ilhas (escuso-me de nomeá-las) que, na sua maioria, aquando das suas independências, partiram de bases muito piores que as nossas, hoje, francamente, estão melhores.

As Ilhas estão na moda porque externalizaram toda a sua existência, estar na moda significa ser o centro de atenções pelas melhores razões e significa ser atractivo, que significa, por sua vez, mais facilmente atrair investimentos e melhor para comercializar bens e serviços produzidos. Estar na moda é ser marca e ter marca.

38 Anos depois, estamos disponíveis para empreender este caminho? Ou optamos por continuar a ser uns demodé?”.

Brany Cunha Lisboa

 

 

 

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