São Tomé e Príncipe na categoria de lixo!

Ago 28 • Sociedade, STP • 84 Views • Sem comentários em São Tomé e Príncipe na categoria de lixo!

 

É engraçado que também Portugal, que é ocidental e considerado desenvolvido, ainda seja caracterizado pelas principais agências de notação financeira internacionais como “lixo”. Fazendo o trocadilho ou a mescla das situações, ou seja, economia mais a imagem do país, no caso de São Tomé e Príncipe eu diria que a categoria é literalmente “lixo”. Mas quem sou eu para dar uma nota ou categorizar o que quer que seja num país? Sou apenas um observador atento ao que se passa no meu país, São Tomé e Príncipe e no mundo. Como são-tomense estou deveras desconsolado com a imagem que sobretudo a capital São Tomé apresenta nos dias de hoje.

Cidade centenária, São Tomé já foi considerada uma das mais lindas e limpas capitais de África. Outrora com paisagem estonteante de tons verde e azul, pintados pelas árvores da capital banhada na marginal pelo mar do atlântico. Atualmente o contraste é marcado pela ruína dos edifícios, muito deles com alto valor arquitetónico, buracos nas estradas, valas e esgotos de escoamento entupidos, praias em que o areal está a ser inteiramente substituído pelos calhaus e muito, muito lixo espalhados pelas ruas e principais avenidas.

Como diz o filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella “a tragédia não é quando um homem morre. A tragédia é o que morre dentro de um homem quando ele está vivo”.

Quero com isto dizer que, a tragédia aqui não é o estado em que se encontra a cidade, mas sim, a capacidade que os sucessivos governantes do país têm tido para ajudar a deteriorar o que já foi lindo, o que já foi bom, o que já foi útil.

A capital São Tomé é o espelho das ilhas. É o que se reflete além-fronteiras. É o que todos e qualquer um vê primeiro, assim que chega/visita o arquipélago. É o cartão de visitas. A limpeza e saneamento dela não devia ser uma prioridade para os sucessivos governos e líderes camarários? Como é que o atual executivo de Patrice Trovoada vem assegurar que o turismo é para o governo uma aposta e que pode ser uma das principais alavancas da economia se a primeira imagem do país que saltará as vistas dos visitantes será de lixo, de cheiro nauseabundo, de vendas ambulantes no meio disto tudo, de buracos nas estradas e esgotos entupidos que inundam as mesmas estradas quando chove, da barreira da marginal toda destruída e das praias com estruturas como pontes partidas e cheias de pedras invés de areia? Como é que o executivo camarário de Água Grande e de Kiney Santos consegue seguir as pisadas do governo central em inúmeras inaugurações e ações, também elas importantes, como levar água e luz às populações em dificuldades, mas não traça e apresenta, com ações, uma estratégia de devolução do respeito e integridade a nossa capital?

“Ter esperança ativa é aquela que é do verbo esperançar, não a do verbo esperar. O verbo esperar é aquele que aguarda enquanto o verbo esperançar é aquele que busca, que procura, que vai atrás”. Mário Sérgio Cortella

A solução seria então, ao invés de continuarmos a espera, ir atrás. Não interessa saber de quem é a culpa do estado em que chegou a nossa capital. O mais importante seria os decisores de hoje terem a capacidade de buscar apoio do povo para arregaçar as mangas e juntos mudar o figurino da cidade. Criar estratégias e projetos, buscar apoios internacionais e nacionais não só para colocar na agenda de execuções, ações de grande envergadura como a requalificação do aeroporto e do porto de São Tomé ou a criação de um porto de águas profundas em Fernão Dias, mas também medidas não menos importantes, como requalificar toda a marginal, planos conjuntos com os proprietários para a reabilitação dos edifícios da cidade, campanhas de sensibilização e de limpeza da capital, implementação da cultura dos caixotes de lixos espalhados pelas ruas e artérias da capital, incentivar a participação do setor privado na concretização desses objetivos, por exemplo na questão de manutenção das estradas e dos esgotos. No fundo seriam esforços sinceros que visariam devolver realmente a beleza de uma cidade que no final das contas é o espelho de todos nós são-tomenses.

“A nossa casa reflete a nossa personalidade e afirma quem somos”.

Brany Cunha Lisboa

 

 

Artigo relacionado

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

« »