São-tomenses assumem importância da língua materna

Fev 21 • Cultura, Sociedade, STP • 928 Views • Sem comentários em São-tomenses assumem importância da língua materna

Assinala-se esta sexta-feira o dia internacional da língua materna. Em São Tomé e Príncipe o ano que passou ficou marcado pelo lançamento do primeiro dicionário bilingue Crioulo-forro/Português, mas no entanto, persistiam na altura reservas quanto a preservação da língua. Neste 21 de Fevereiro de 2014, o nacionais reconhecem a importância da língua materna.

O arquipélago são-tomense tem pelo menos 3 línguas maternas. O crioulo forro ou o Santomé, falado pela maioria, ganhou no ano que passou o seu primeiro dicionário “crioulo forro/português. Uma  iniciativa de especialistas das universidades de São Paulo e Lisboa, que já na altura mostraram-se preocupados com os estado de conservação da língua.

“Santomé é uma língua que está em perigo de extinção, isto parece que não tem muita relevância porque ainda há cerca de 60, 70 talvez 80 mil falantes, mas no momento em que deixa de haver transmissões entre gerações, a língua pode muito rapidamente desaparecer” assegura o professor da universidade de Lisboa Tjerk Hagemeijer.

Não obstante as preocupações os são-tomenses parecem perceber bem qual a importância da língua materna.

“Enquanto património cultural e material de São Tomé e Príncipe, as línguas nacionais, ou seja o crioulo forro é relevante na medida em que constitui o esteio identitário do nosso nacionalismo. é uma marca importante na formação da nossa identidade, como são-tomenses”, opinião de Wildiley Barroca
 “como deves saber cada nação deve preservar um dialogo ou uma língua que pode ser menos entendida por outro quando está fora do seu país natal. Porém é ai a conformidade de aprender a língua crioulo e quão importante ela é. O dialogo secreto esta relacionado com o reencontro entre pessoas de mesma nacionalidade e naturalidade. Uma conversa que emociona outro parente próximo e que permite te caracterizar e melhor aproximação”, garante Carlos Graça
 “É uma forma mais fácil, rápida e eficaz de me identificar como são-tomense. Digo isso porque podem haver mil formas culturais de nos afirmarmos como são-tomenses mas falando crioulo é mais fácil e suave, é um documento que levas contigo para todos os lados. Já me aconteceu estar no metro em Lisboa,… alguém viu-me e disse logo “Moço ê bô sanguê telaôooo”. Tu já ficas com um sorriso nos lábios e sentes-te bem. Vem aquele orgulho patriótico só de encontrar alguém da tua terra quando estas na terra de ninguém”, palavras de Edson Carvalho.
 “A cultura de um país é a identidade do seu povo”, expressa Sónia Lopes
 “Eu sou um dos que defendo a nossa língua forro. Até mesmo quando estou com os amigos ou em grupos falamos o crioulo, acredito que hoje tem muitos jovens interessados em falar.  Gosto de ouvir e falar, as vezes nem tudo expresso bem mas é praticando que melhoramos”, declara Adeler Fernandes.

Esta sexta-feira comemora-se o dia internacional da língua maternal. Uma data consagrada pela UNESCO em 2009, tendo em conta o dia do Movimento da Língua comemorado em Bangladesh desde 1952.

O objetivo é promover a diversidade linguística e cultural.

Brany Cunha Lisboa

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